segunda-feira, 24 de março de 2014 0 mil caóticos

Pretérito passado



Eles se olhavam de maneira triste naquele fim de domingo. Domingos eram sempre tediosos, principalmente 'quando não se acredita em Deus'. Chegara o momento. Eles entraram no ponto onde não há mais caminho. Dali para frente apenas o deserto. Não haviam mais sorrisos, nem novidades, nem nada novo. A ausência das palavras e a falta de desejo. O silêncio falava muito mais nas entrelinhas. Os beijos eram secos, o sexo era mecânico, o toque não despertava mais nada. O peso, a culpa, a dor. Perdidos, tentavam se agarrar a qualquer sobra de sentimento, aquele passado em que dormiam seus sonhos. Admitir o fim era difícil. Quem poderia crer que tudo havia se transformado em pó? Ela o culpava. Ele a culpava. Como numa gangorra, empurravam um para o outro o peso daquele fim.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 0 mil caóticos

reminiscências...


Tudo nesse quarto me lembra você.
Do seu cheiro naquele travesseiro, as fotos presas na parede, Bansky, a guitarra intimista de The Meters ao pássaro de papel. Até onde não está você se concentra presente, na janela, nas noites furtivas e embriagadas, nas lembranças saudosas, na minha rua, nas outras ruas, nos bares, nos sorrisos das pessoas, no corpo de outros homens, na poesia do dia-a-dia, na falta dela, na voz rouca de choro, nas unhas vermelhas ruídas, nas viagens alucinantes, nas verdades não-ditas, naquilo que se quebrou, em todos os lugares...
quarta-feira, 16 de outubro de 2013 1 mil caóticos

Borboletinha


Mesmo que você me impeça de te amar
Mesmo que alegue insanidade minha
Diz quem é você pra me dizer pra não voar
Se é você só ar borboletinha


E agora nada mais pode ser feito
Que não tenha de efeito um gargalhar
Já não posso controlar meu peito
Por isso você terá que aguentar


Mas se você brisa
Eu sou passarinho
Se você derrama
Sou taça de vinho
Se você reclama se você na cama
Eu sou o seu carinho
Mas se você faz charme
Vermelha florzinha
Te enrolo inteira
Durmo de conchinha


Mesmo que você me impeça de te amar
Mesmo que alegue insanidade minha 
Diz quem é você pra me dizer pra não voar
Se é você só ar borboletinha
E eu sou um vendaval
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Intenso


. adoro quando me olhas com esse olhar fotográfico . e sabes todos os meus gestos . como se adivinhasses todas as minhas vontades . adoro quando você finge que não há mais ninguém . e as pessoas passam curiosas a nós olhar . adoro quando brincas de ser meu desejo mais secreto . adoro quando me tira do sério . e sempre tem uma desculpa na ponta da língua . adoro quando você surta e começa a filosofar as coisas mais loucas . adoro quando me liga do nada só pra dizer que está com saudades . adoro quando você faz o que ninguém faria . adoro quando você tenta ser normal e não consegue . adoro quando te beijo com gosto de cerveja . adoro quando você me diz não . adoro quando não consigo ter controle . adoro quando você fala suas teorias tão certas . adoro quando ouço tua respiração . adoro nossas conversas horas a fio por telefone . adoro quando você fica com raiva . adoro fazer da nossa vida um video-clip . adoro sentir teu coração todas as noites . adoro quando me chama de um jeito só teu . adoro quando seguras minhas mãos quando a vida tá um caos . adoro sentir teu cheiro . adoro quando faz carinho perto dos olhos . adoro suas estórias . adoro sua vontade louca de ser do mundo . adoro quando minha mão encaixa perfeitamente na sua . adoro seus defeitos que me deixam louca . 

domingo, 6 de outubro de 2013 0 mil caóticos

Passarinho


Quem te magoou dessa forma pra você ser assim?

Ela não consegue lembrar sequer se houve mesmo alguém, um motivo... Sempre se sentiu assim presa em sua liberdade.
sábado, 5 de outubro de 2013 0 mil caóticos

Fome de gente


Os momentos sempre parecem tão intensos para eles... Ana simplesmente sorri enquanto olha para a porta da saída. Eles não têm o que ela quer. Nunca terão. Não por inteiro, não por completo. 
Já se percebeu apaixonada algumas vezes. Sentia-se bem com aqueles momentos, as mãos dadas, a rotina carinhosa, as perguntas fúteis sobre o clima. Com o tempo ela cansa e lhe invade o cheiro da paixão vencida.

A fome é mais incontrolável do que qualquer altruísmo que Ana tente injetar em si mesma.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013 0 mil caóticos

Fome de Tudo

Ela nunca se sentia completa.
Uma fome irremediável de novidades, outras bocas, peles, corpos.
Mas não era simplesmente o alimento carnal que lhe apetecia.

As ideias, os movimentos, a forma de escovar os dentes, os discos, as dores, os riscos... Gostava de tocar almas porque elas nunca se entendem. Os corpos sim.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013 0 mil caóticos

O livro vermelho


Desde pequena ela sequer havia saído dos arredores da casa dos pais. A costureira, essa sim a sua mais longa viagem, ficava a dois quarteirões dali. Desconfiada e discreta. Aconchegara as costas naquele sofá miúdo e de poucas cores.  – Sinta-se em casa, advertiu ele. Ela estremeceu. 

De todas as descobertas daquele novo mundo fixava-se na estante de livros. Inicialmente tinha medo de tocá-la. Parecia um grande lembrete que ali não era seu lar. De todas as ressignificações diárias do seu novo espaço aquela estante lhe repelia a uma desnaturalização. Será que ele lera todos aqueles livros? Cada título em capas distintas lhe inferia o abismo existente. Afinal, não era o seu lar. Quantas vezes voltando da floricultura se perdera tentando achar o caminho da antiga casa?

Passou a observar as capas. Com a desculpa de tirar-lhes o pó, é claro. Até que começou a lê-los insaciavelmente escondido. Era um crime. Ela era uma criminosa absorta naquelas tardes em que sentava a janela e ia devorando um a um, o máximo que conseguia. Nos finais de semana quando ele recebia visitas, ela sorria deliciosamente por dentro e calada observava os senhores discursarem longamente enquanto lhes servia café. Astronomia, história, psicologia, literatura e até filosofia. Ela gostava de ouvir e ficava imaginando seus próprios longos discursos.

Em pouco tempo da sua chegada leu até a última prateleira. Havia sobrado apenas um livro pequeno de capa vermelha, quase esquecido no meio de tantos livros maiores. Agarrou-lhe ao peito em prantos. Não poderia ler este. 

Depois daquela tarde, toda a casa tornou-se claustrofóbica. Angustiada, enterrou o pequeno livro vermelho no meio do jardim entre as tulipas. Todos aqueles mundos que conhecera tão distintos do seu, tão distantes do seu... Aquele pequeno livro representava a última chave, o seu último bilhete de passagem. Jamais dissera a ele a razão de tanta dedicação as tulipas. E mesmo que ele insistisse que deixasse o jardineiro fazer o trabalho dele, ela quase suplicava que lhe deixasse fazer isso, ao menos isso.

Anos se passaram e ela foi mãe, avó. Recebera as visitas do marido inúmeros finais de semana até arriscando algumas vezes tocar poucas melodias no piano. Mesmo quando ele se foi, jamais voltaria a ver seu tesouro escondido no jardim. Enterrou com o pequeno livro vermelho todos os mundos que sonhara em viver e que só realizava na imaginação da sua memória.

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Memórias Póstumas do Brasil



Respiramos hipocrisia
Nesse mundo tão “perfeito”
Chega até ser heresia
Não aceitar o que já está feito.

Temos que aguentar calados
FIQUEM MUDAS TODAS AS VOZES!
E os olhos bem vendados
Com cortinas de fumaça
Mas não tente! Não reaja!
O capitalismo é selvagem.

Vamos ser eternos atores
Nesse nosso GLOBRASIL
Um país de malfeitores
Com “perigos infantis”
Para poder se manter
Com uma educação distante
Temos novas profissões:
Corruptos ou traficantes.

Mas que país maravilhoso!
Não é 10 é 100!!!
Sem emprego
Sem estudo
Sem carinho
Sem ninguém.



(19/08/04)
sexta-feira, 17 de maio de 2013 0 mil caóticos

Dela.



Amo, e iria até o inimaginável...

Cada vez que o seu sorriso é forçado a se esconder, vejo que seria capaz de achar este motivo perdido em qualquer parte do mundo só para rasgá-lo em mil partes e transformá-lo em pesadelo acabado. Colocando ela para ninar novamente, cantando aquilo que ela tanto gosta.
Eu a amo e não suporto que fique assim, não cabe em mim a ideia de vê-la com um molhado/frio no mesmo rosto que outrora exalava paz, beleza, serenidade. Não suporto saber que os mesmos olhos que beijei, agora estão tão distantes, procurando respostas em algum pensamento perdido, ou formado forçosamente para explicar o motivo da dor.
Ela é a mulher que sempre amei, que sempre sonhei em ter aqui, deste lado do peito, da cama e das mãos dadas pelas ruas. Eu exijo que tenham cuidado com ela e com seus sentimentos! Não há o porquê desta falta de respeito para com este coração que mesmo já tendo sido tão apertado, continuou delicado e sincero para quem quisesse chegar. Um coração que só pelo fato de existir já merece carinho e admiração.
Ela é a mulher mais linda que já conheci, carrega dois olhos infinitos, janelas de sua alma fervente, borbulhante de ideias e de sonhos. Uma boca certa e forte por onde saem (além dos mais perfeitos beijos), as palavras cantadas e faladas pelas quais me apaixonei. Ela tem um cabelo que lhe dá força. Mas ele deve estar preso hoje... Deve estar tão preso em sua cabeça, quanto a tristeza e angústia em seu coração musical.
Eu exijo que tudo isso passe logo, que ela novamente possa sorrir, soltar os cabelos longos e olhar para o mundo, comendo e degustando as suas coisas boas. Para isso, ordeno que o mundo melhore o quanto antes, e vou ajudar nisso, junto com ela. Quero pintar as paredes dos seus dias em tons vermelhos, quero ajudar a tirar seus medos, cuidando com ela deste coração que tanto quero ver bem.
Amo tanto! Amo com todas as minhas forças e fraquezas, com todas as doenças e remédios...e mais...lhe daria meu coração, se possível fosse, para que passasse para ele parte destes apertos doídos que ganhou hoje, assim: inexplicáveis e desnecessários.
Eu quero estar ao lado dela, caminhar com ela e mudar tudo que não nos agrada, não somos de ficar paradas e isso tudo de errado no mundo não há de ficar assim!
Um alguém machucou o meu amor e vamos cobrar caro por isso, seja este alguém um sentimento, uma ideia ou um soco no estômago, estampando na nossa cara que existe covardia e maldade no mesmo mundo que queremos ver paz.
Ela ficou com a voz fraca e triste, e isso não se faz! Sua voz deve voltar imediatamente aquele tom maior, estremecendo ouvidos e corações, cantando emoções de dar calafrios na nuca, saindo levemente de sua boca para o restante do universo sentir beleza.
Por tudo que é mais precioso, eu vou encontrar com ela, beber as últimas lágrimas e dividir as batidas de um coração machucado. Depois vamos seguir lado a lado, eu sei que vamos, (e temos muito a caminhar). O coração vai ficar bem, meu bem, nós vamos ficar juntas e fortes para fazer no mundo e nas pessoas revoluções com o nosso amor. (!)

 
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