os silêncios me praticam

Minha força está na solidão. 
Não tenho medo nem de chuvas tempestivas 
nem de grandes ventanias soltas, 
pois eu também sou o escuro da noite.
(Clarice Lispector)


Eu sempre fui procuras.
Nas noites, nas camas, ruas e becos e bocas.
Uma busca irrefreada de nem sei o quê.
Mas era meu. Era quase um ritual noturno estar
no meio de multidões, pra sentir-se sozinha, perdida.
Minha. Vazia. Só minha. Tenho medo de abrir minha solidão
pros outros. Sabe lá o que vão fazer, se vão cuidar bem dela.
Preciso ter esse vão dentro de mim, onde está algo que nunca 
encontrei e que talvez nunca terei.
Acho que procuro a mim mesma

Um comentário:

Junkie Careta disse...

E qual é o poeta baby, que não trás esse buraco na alma? E, é aí que mora a antítese: Se ele vai sempre estar com a solidão, então ele nunca vai estar sozinho!

Lembro de novo do velho Drummond:

AUSÊNCIA

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

Isso me consolou muitas noites, a idéia de que solidão é estar em mim.O problema era ser autofágico e poeta,como vc e lidar com o conflito.


Deixo a lembrança daquele outro poeta, pra você comer:

"qualquer coisa perdida, perdidamente pode se apaixonar".

Até