Valsinha.

O som do violão vinha em ondas vibrantes e acesas,
rasgando aquele vestido de flores que ela só usava
em ocasiões especiais.
Rasgava o vestido dilacerando totalmente seu peito
já cheio de marcas de tons antigos e velhos acordes.
Sentia assim todos os seus pêlos em hola! arrepiados.
Na nuca se concentrava uma brisa leve, um certo torpor
da noite e o vento balançando vagarosamente os seus cabelos.



"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar


E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar


E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz..."
[Chico Buarque - Valsinha]

Um comentário:

elis disse...

lindo...