O medo

Eu sei que não sou fácil, me sinto como uma bomba relógio. E me transformei numa medrosa, eu que sempre me joguei de cabeça. Eu tenho medo de intimidades. Tenho medo delas levarem a beleza do que se constrói aos poucos. Delas levarem o amor que pode surgir. Não consigo não sentir isso agora. Eu fico com medo de ser magoada. De magoar alguém. De perder a solidão para sofrer. A solidão parece tão segura. Tão confortável. Eu tenho medo de ser só corpo, como fui quase a minha vida toda. Levada pelo desejo a cima de tudo. Acho que eu queria amor, que queria amar e ser amada. Mas agora tenho medo disso. Tenho medo de dormir junto, de ficar olhando no olho encantada, de pedir o café da manhã numa padaria só porque pra mim é inusitado. Tenho medo de cozinhar junto, tomar banho, de falar da família e mostrar o quanto sou ruim no violão. E quando eu digo que não quero nada com ninguém é verdade, é medo, é o que sinto agora. Sinto que é melhor pra mim, pra minha proteção e para as dos outros. Sinto como se eu fosse uma casca de ovo que pode quebrar a qualquer instante. Estou sensível.Tudo mexe comigo lentamente como se desmanchasse nas horas. Mas isso não é ruim. Pode parecer melancólico mas eu construí um suporte dentro da solidão muito forte. E tenho medo de perde-lo e ficar sem chão. E eu sou sonhadora demais, romântica demais. Eu nunca percebi como, nem quando mas passei de uma pessoa altamente sexual e que só vivia de carne sem viver sentimentos, para uma mocinha cheia de amor, cheia de querer bem, cheia de romantismos e cheia de medo.

5 comentários:

Anônimo disse...

Bonito e se parece muito comigo...

Ay disse...

É por se parecer tanto que não quis pôr o nome? rs
volte sempre =*

Mariana Rabêlo disse...

voltei!
=)

Mariana Rabêlo disse...

Voltei e não estou mais anônima! rs
E continua se parecendo muito comigo.

Ay disse...

hahahaha e continua bem-vinda =*