Pretérito passado



Eles se olhavam de maneira triste naquele fim de domingo. Domingos eram sempre tediosos, principalmente 'quando não se acredita em Deus'. Chegara o momento. Eles entraram no ponto onde não há mais caminho. Dali para frente apenas o deserto. Não haviam mais sorrisos, nem novidades, nem nada novo. A ausência das palavras e a falta de desejo. O silêncio falava muito mais nas entrelinhas. Os beijos eram secos, o sexo era mecânico, o toque não despertava mais nada. O peso, a culpa, a dor. Perdidos, tentavam se agarrar a qualquer sobra de sentimento, aquele passado em que dormiam seus sonhos. Admitir o fim era difícil. Quem poderia crer que tudo havia se transformado em pó? Ela o culpava. Ele a culpava. Como numa gangorra, empurravam um para o outro o peso daquele fim.

Um comentário:

Pirro disse...

Estou passando por um momento tal como o descrito nas linhas deste poema-em-prosa, se é que posso defini-lo assim.
Não obstante,, parece ser uma imagem representativa de todas as relações amorosas prontas para a queda...